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Artigo

21 de setembro de 2015

 

MEDIDAS E SOLUÇÕES EXTRAJUDICIAIS NA LOCAÇÃO DE IMÓVEIS.

 É sabido que, infelizmente, a falta de inteligência é um problema quase que recorrente na locação de imóveis. As partes têm interesses diametralmente opostos e buscam, invariavelmente, atender aos seus anseios, que, por vezes, comprometem os do outro, gerando as desinteligências habituais.  
   É fato notório, inclusive, que pela desatenção ou por desgastes antigos, os contraentes deixam de ponderar a situação do próximo, achando, por conseguinte, que sempre este poderá estar “tirando proveito” da situação, o que complica ainda mais a solução.  
 A experiência de mercado nos mostra que grande parte dos casos que chegam ao Poder Judiciário decorre de questões que poderiam ser resolvidas com simples acordos. De tal modo, evitar-se-ia ocupar a máquina pública já tão sobrecarregada, deixando à sua apreciação o que verdadeiramente fosse de alta relevância e de real interesse social.  
  Pensa-se erroneamente que questões desta dimensão só podem ser resolvidas perante o Poder Judiciário. Contudo, mesmo este esfera do poder público assevera que a composição amigável ainda é a medida mais adequada para resolver litígios.  
 

 Ato contínuo, apresenta-se também apropriado o instituto da arbitragem quando se pretende solucionar questões que envolvam direitos patrimoniais disponíveis,  porque há legítimos ganhos para as partes. Confia-se à justiça privada a solução de conflitos a esta cabíveis, retirando do Poder Judiciário o excesso de demandas.   
   Vejamos o que dispõe a lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, que trata da arbitragem, meio extrajudicial de solução de conflitos, a qual se aplica plenamente às relações locatícias: “Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis.” (BRASIL, 1996).  
   Ainda, vale expor o que Flávio Pereira Lima e Priscila Knoll Aymone abordam em seu artigo intitulado “Arbitragem combina com locação”, destacando a importância da arbitragem para dirimir questões atinentes à locação de imóveis. É, certamente, mais uma ferramenta a dinamizar e a facilitar a resolução de demandas locatícias.  
   “A arbitragem vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Neste movimento de consolidação, desde o reconhecimento de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (SE AgR 5206-Espanha) e a posterior ratificação da Convenção de Nova Iorque sobre Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras (Decreto n. 4.311/2002 - clique aqui), a jurisprudência recente dos nossos tribunais tem-se posicionado favoravelmente ao instituto.  
   A ampliação do escopo da arbitragem não significa, como constou do artigo citado, a banalização da Lei de Arbitragem (clique aqui). Na verdade, a definição do objeto passível de submissão aos árbitros é vasta o suficiente, ainda que circunscrita a "direitos patrimoniais disponíveis" (Lei nº. 9.307/96, art. 1o).  
   Assim sendo, não há empecilhos para que questões locatícias sejam levadas à arbitragem. Os litígios relativos à locação são dotados de patrimonialidade e disponibilidade pela fruição do bem patrimonial apreciável monetariamente. São exemplos típicos de ações relativas à locação, a ação revisional de aluguel, a ação renovatória e a ação de indenização por benfeitorias. Essas ações envolvem questões eminentemente patrimoniais que poderiam ser resolvidas, de forma extremamente eficaz, por meio de arbitragem.” (LIMA; AYMONE, 2008, on-line).    
   Portanto, na composição amigável os contraentes saem seguramente mais satisfeitos, cedendo cada um o que lhe convier e/ou couber, para ao final restarem atendidos em seus pretensões, sem que com isso se tenha um vencedor ou um perdedor.  
   Dando continuidade a este estudo, apontar-se-ão medidas administrativas que devem ser realizadas com o objetivo de se evitar o agravamento dos problemas decorrentes da relação locatícia.

Quando se tem, por exemplo, débitos de aluguéis e encargos, adota-se inicialmente a comunicação formal e expressa dos débitos aos locatários e aos fiadores, se for o caso, com envio de notificações extrajudiciais – preferencialmente por cartório, com contrafé e certificações por oficial de cartório.  
   Dá-se um prazo razoável de aproximadamente 05(cinco) dias para que as partes se manifestem após o supracitado comunicado. Se permanecerem silentes, aconselha-se realizar a cobrança de modo informal, contatando diretamente as partes devedoras para expor o acontecido e demonstrando cabalmente os prejuízos advindos desta mora.  
   Importante sempre rememorar o locatário devedor que a repetição de tal conduta tem diretas interferências na vida do locador, tendo em conta que os rendimentos provenientes da locação têm caráter alimentar, servindo, portanto, à subsistência deste e de seus dependentes. Logo, não é correto que haja prejuízo a quem quer que seja na relação locatícia, porque tal fato caracteriza a improbidade quanto à justeza e aos deveres asseverados contratualmente.  
   Frise-se que os devedores não podem passar por constrangimentos que ultrapassem os limites razoáveis de cobrança. Ou seja, serem envergonhados publicamente, no trabalho ou mesmo na presença de filhos, porque estas atitudes, além de possuírem vieses maculadores da imagem e do bom nome destes, excedem manifestamente os limites da boa-fé.  
   Em razão do dever de informar, não podem ser ocultados dos devedores todos os procedimentos adotados para a cobrança, sejam em esfera administrativa ou em judicial, porque se feriria o direito de poder honrar com seus compromissos, que ficaria inviabilizado pela falta de ciência do débito e pelo acumulo de encargos - estes majoram ao passar do tempo.   
   Desta feita, sugere-se que as partes sejam convidadas a conversar pessoalmente para ponderar interesses, que, por vezes, dizem respeito a algo tão simples que podem até tomar proporções inimagináveis se não forem acertados a contento, gerando, por conseguinte, outros problemas incontornáveis.  
   Com a ajuda de mediadores hábeis, chegar-se-á, seguramente, a um denominador comum, por certo que com transações mútuas. Mas ao fim ter-se-ão satisfeitos os interesses de ambos, mesmo que cedendo cada um o que lhes couber, porque assim há a justiça e a equidade.    
   A palavra mais adequada a definir esta situação seria: contemporizar. Embora que se haja litígios passados, não se deve misturar estes fatos porque dificultaria a solução. Ou seja, os contraentes devem ir despidos de quaisquer intolerâncias para chegarem efetivamente ao que se deseja.  
   Tudo isso tem o condão de se evitar ocupar a tutela do Poder Judiciário, porque se sabe que há um acúmulo de demandas tão sérias que merecem verdadeiramente tal atenção. Mas quando se trata de desinteligências simples que podem ser resolvidas extrajudicialmente ou por meio da justiça privada, aconselha-se utilizar tais medidas, porque, principalmente, não haverá grandes dispêndios de tempo e de dinheiro. 

Dr. Adriano Espíndola Santos

 

Mestre em Direito Civil pela Universidade de Coimbra – Portugal. Especialista em Direito Civil pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais –Adriano Barreto Espíndola Santos. Mestre em Direito Civil pela Universidade de Coimbra. Especialista em Direito Civil pela PUC Minas. Especialista em Direito Público Municipal pela Faculdade de Tecnologia Darcy Ribeiro. Advogado inscrito na OAB-CE sob o n° 22.755. PUC Minas. Especialista em Direito Público Municipal. Advogado.

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